15 maio, 2009

Virada Cultural 2009 no Interior de São Paulo

Lá vamos nós para mais uma aventura emocionante. No Sábado dia 16 de Maio teremos a Virada Cultural no Interior do Estado de São Paulo. Desta vez, Seychelles vai se apresentar em São José do Rio Preto, ao lado de grandes artistas. Segue uma parte da programação da noite:

Virada Cultural 2009: São José do Rio Preto
Local: ANFITEATRO – Av Duque de Caxias s/n – Jardim Seixas

18h – Abertura Oficial com Arnaldo Antunes
20h – Seychelles
21h – Ludov
22h – Necrofobia
00h – Sepultura

Leia aqui mesmo, ou entre neste link

Publicado em: 14/05/2009
Entrevista: Banda Seychelles está contando as horas para tocar em Rio Preto

A Seychelles é uma daquelas bandas que você aprende a gostar. Com jeito diferente, música diferente e performance impressionante, não dá pra esquecer. Me lembro quando assisti o show da banda pela primeira vez. Eu fiquei com olhar de “eles estão malucos”, “nossa que psicodelia”, o tempo todo. Mas é um show imperdível, vindo de uma banda independente como eles. Confira abaixo entrevista com a banda, onde eles falam desse jeito nonsense (ou não) e a expectativa para tocar em Rio Preto.
Entrevista: Natália Clementin

Li uma entrevista em que disseram que a banda faz show “nonsense”, o que vocês acham disso?
Para falar a verdade, não sei se o Seychelles é tão nonsense assim ou se é o rock que anda muito sério, muito careta, preso demais a formatos já consagrados ou simplesmente reproduzindo tendências. Quando a gente sobe no palco, procuramos vivenciar e apresentar ao público um certo “espírito libertário”, uma certa fantasia. Creio que esse é um pouco o papel das artes: fazer as pessoas sonharem. E, no palco, para a gente atingir esse tipo de resultado, não há regras, não há limites. Usamos o que estiver à mão para fazer daquele show o mais inesquecível para quem estiver assistindo – seja na iluminação do palco, nos figurinos, na performance corporal, na escolha do repertório. Tudo com um pequeno grau de irreverência, de ironia. Creio que o Seychelles está criando sua identidade como banda sobre esses pilares.

Como vocês definem então o som de você?
Definir o próprio som é sempre uma tarefa ingrata. A gente prefere tocar e deixar que as pessoas definam. Mas, justamente por esse espírito libertário que mencionei, a gente encontra referências nas grandes bandas dos anos 70 na Inglaterra (Beatles, Stones, Who, Queen, Pink Floyd, Black Sabatth…), no legado dos Mutantes, mas sempre apontando para a frente, vislumbrando um som, uma mensagem que tenha a ver com a época, com a realidade que a gente vive. Somos uma banda do século XXI.

Porque vocês resolveram fazer música do jeito que fazem, nada comum?
Não se trata de algo racional. Algo como: “vamos fazer desse jeito para poder soar assim”. Música é intuição, é instinto. Quando a gente compõe, é como se estivéssemos colocando um filho no mundo. Você cria as condições para que ele nasça com saúde, com carinho, num lar estável… Mas, quando nasce, ele é do mundo. Já não te pertence mais. Com a música é a mesma coisa. Compor, fazer um disco, é um gesto de amor, de generosidade. E, ao mesmo tempo, o Seychelles é formado por 4 indivíduos completamente diferentes entre si. Quer dizer, por mais que eu componha uma letra, pense numa linha de guitarra, numa melodia, quando chega na hora do ensaio, dos outros músicos darem sua cara para a música, o produto final é algo totalmente imprevisível.

Como foi gravar o segundo CD da banda, lançado recentemente?
Foi um processo árduo, longo (pouco mais de um ano gravando), mas de profunda realização. Chegamos a gravar em 4 estúdios diferentes (!) e tivemos a ajuda de um grande produtor, o Fabio Pinc, que entendeu perfeitamente o que queríamos e nos ajudou a chegar ao resultado pretendido. Posso dizer que nesse disco não fizemos concessões, não passamos vontade. Tudo que a gente estava a fim de fazer, está lá.

O pq esse disco foi disponibilizado gratuitamente na internet? Pq tomaram essa decisão?
Queremos democratizar, facilitar o acesso do público ao nosso disco. Somos independentes, não contamos com um mega esquema de distribuição em nível nacional. Se o cara na Paraíba, em Roraima, no Acre, no Japão ou em Marte quiser baixar as músicas, basta entrar em nosso site. No Brasil, artista não ganha dinheiro vendendo disco, mas sim fazendo show, promovendo ações culturais.

O que vocês acham do projeto da Virada Cultural?
Trata-se de um projeto de primeiro mundo. Eu toquei na Virada em São Paulo no ano passado com uma outra banda que mantenho com Edgard Scandurra (Ira!) e posso te dizer que foi um momento inesquecível. Tocar rock às 6 da manhã para uma platéia ensandecida de mais de 10 mil pessoas é algo que vou me lembrar para sempre. Também é um momento especial para a cidade, para os cidadãos, que podem ver seus artistas de graça, se locomover de metrô durante a madrugada. A cidade vira uma festa, respira arte de verdade.

Como será tocar em Rio Preto?
O convite para tocar em Rio Preto é motivo de grande honra e satisfação para o Seychelles. Será nossa primeira vez. Há alguns anos temos rodado o interior de São Paulo e, cada vez que a gente volta a esses locais, percebemos que o público aumentou. E não é um público qualquer. Não é um público que viu a gente na televisão, no jornal. Na maioria, trata-se de um público exigente, que foi atrás, que entrou no site, que conhece os discos, sabe cantar as músicas, que depois do show nos chama a atenção por não ter tocado determinada música. É uma moçada consciente, bacana, que vive o rock no seu dia a dia. É algo que tratamos com muito respeito. O público é sagrado. Estamos com uma super expectativa para conhecer a cidade e o público de Rio Preto. Contando as horas…

(Texto publicado no folder de divulgação do evento)