17 dezembro, 2012

Seychelles 10 anos

Seychelles é um arquipélago localizado dentro do coração. Uma semente plantada há exatos 10 anos, quando Fernando Coelho, Renato Cortez, Paulo “Chapolin” Rocha e eu nos reunímos para o primeiro ensaio, em dezembro de 2002. O entrosamento foi tão imediato que, desse encontro, a gente saiu com duas canções inéditas: Música Perfeita e Mantra. As letras que eu tinha escritas na ocasião e outras que fui compondo na sequência, encontraram e continuam encontrando pouso suave na base rítmica da nossa dupla drum n’ bass Renato e Chapolin, e no manancial inesgotável de melodias do Coelho – o elemento estético e comportamental que permitiu que o Seychelles viesse à luz.

Quem sugeriu montarmos a banda foi o Renato, meu parceiro musical há mais de 15 anos, baixista, produtor, iluminador de palco e multihomem do Seychelles. Depois de uma jam session matinal com Coelho em uma rave no bairro de Parelheiros (SP) no início dos anos 2000, quando deusComplexob (formado por mim e pelo Renato) e Mamma Cadela (formado por Rodrigo Fonseca e pelo Coelho) dividiram o chill-out da festa para propor nossas psicodelias minimalistas e sinceras. A química musical vivida ali foi tão certeira que a fagulha gerada acabou iluminando o início do Seychelles.

Foi o Renato também quem sugeriu de completarmos a esquadra com o Paulo “Chapolin” Rocha na bateria. Eu já conhecia ele de outras bandas e sempre ficava impressionado com suas performances, sua precisão e sua mão pesada. Contar com ele na banda era como ter contratação de luxo para o elenco, um craque. Sua chegada e sua batida ajudaram a amarrar todas as pontas que faltavam. Foi ele quem definiu como o nosso rock iria soar.

A mesma sintonia que culminou em nossas primeiras composições permanece viva até hoje e se renova a cada dia, a cada momento em que estamos juntos. Sem dúvidas, nosso maior tesouro construído nesses 10 anos de banda é termos permanecido juntos, com a mesma formação e a mesma proposta desde a semente. O mais importante é a família que a gente criou.

Em seguida, vem os nossos discos, nossas composições. A música sempre veio em primeiro lugar no Seychelles. É ela quem manda, quem decide o que pode ou não, quem tem poder de veto, quem decide o caminho. Nós músicos, instrumentos do seu desígnio, apenas procuramos estar atentos ao que ela pede. Sabendo “ouvir” o que uma canção pede durante o processo de composição, ela costuma ser muito generosa em troca. E isso é capaz de fazer muita gente feliz. (Em resumo: a música fala, nós obedecemos. A música é o dínamo, nós os operários. A ela todas as glórias, o estrelato; a nós o anonimato).

No mesmo patamar de importância, estão as pessoas que a gente conheceu, as bandas com as quais a gente tocou e as cidades por onde passamos nesses 10 anos. Ainda que a música venha em primeiro lugar em todas as nossas decisões, ela funciona também como um grande pretexto para fazer novos amigos, algo inerente à carreira do artista, já que o seu lugar é a estrada.

Esse texto não é um balanço definitivo, tampouco um epitáfio. Antes disso, é uma lente para o passado com o objetivo de apontar horizontes futuros e abrir caminho para o nosso disco novo, “Seychelles III”, que acaba de chegar, com participação especial de Edgard Scandurra e encarte assinado por Alex Senna.

Que a nossa energia possa sempre se renovar com os anos e as décadas, de modo que tenhamos motivação ilimitada para manter o vigor de tudo isso. E que a arte da qual somos instrumento tenha poder de transformação e possa sempre alcançar e beneficiar o maior número de corações e almas.

A todos que acompanham a gente nessa jornada, nossa mais sincera gratidão! Que o Seychelles tenha capacidade infinita para supreender e fazer sentido na vida de cada um!

Amor,
Gustavo


Foto por Rodrigo Erib. 2005

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