2041 - Coolaborativismo

1º capítulo - o Postulado

2º capítulo - Medo

O chefe de Arnold Banks, Mustafa James Sayid, é filho de árabes e americanos. Muito mais jovem que o próprio Banks, herdou o jornal e todo o complexo de empresas da família, que envolve siderurgia, escritórios de advocacia, indústrias petrolíferas e outros negócios bélicos e obscuros, que só os advogados sabem..

Desde 2021, os árabes têm o controle de todo o oriente médio. Após anos de guerra entre o ocidente e o oriente, os Estados Unidos da América simplesmente retiraram suas tropas do deserto. Esse fato nunca foi explorado pela mídia. Um simples - “Acabou” é que saiu em todos os jornais.. E desde então, os árabes se espalharam pelo mundo todo, com status de elite global, tendo poderes e influência no Governo Global.

O Governo Global foi instaurado logo após o derretimento do sistema financeiro mundial, em 2009. Com o fim do livre mercado, os governantes dos países mais ricos naquela época compraram todos os bancos quebrados, inclusive os Bancos Centrais da maioria dos países. Os grandes se juntaram, e assim, o estado voltou a reinar no mundo, porém, agora unificado em uma só assembléia.

A moeda deixou de ser parâmetro de riqueza. Não existem mais bancos para a população. Assim como não existe mais especulação financeira. Esse termo chega a ser uma abstração pros vivos em 2041. O que rege a sociedade é a produção calculada e o consumo regrado, tudo muito bem planejado, estipulado e calculado pelo governo.

Foi a época em que o capitalismo se dissolveu, dando espaço ao coolaborativismo.

Essa derrocada dos bancos foi muito bem arquitetada, para que o controle financeiro mundial passasse, de uma vez por todas, para poucas famílias. A quebra do sistema financeiro foi uma manobra arriscada, mas que deu certo, e garantiu o sucesso do Governo Global. E mesmo para certas elites dissidentes, a idéia de governar unilateralmente o mundo foi irresistível.

E assim, com a elite governante distribuindo a riqueza digitalmente, em cartões de plástico, parecidos com os cartões de crédito do seculo XX, foi fácil organizar a sociedade em classes e garantir o futuro infinito das próximas gerações dessas famílias. Tudo isso às custas das classes mais baixas, que sustentam a infra-estrutura da vida confortável de poucos até os dias de hoje.

Porém, o Governo Global não contava com o fator “Terra-Viva”, um organismo que se auto-rege, dotado de sabedoria e experiência, capaz de varrer de sua superfície certos percalços no decorrer de sua existência. Isso não estava nos gráficos e planilhas dos técnicos altamente especializados, incapazes de analisar fatos que fogem de seus estudos, de seus focos.

A calamidade terrestre está em seus dias mais punks. E os anúncio dos cientistas é notícia em algumas rádios-pirata. Em certas rádios religiosas (também piratas), os pastores pregam o fim do mundo. “ Tá na bíblia! Tá acontecendo!” “O Senhor voltou pra arrumar essa bagunça!”

E Banks preparar sua matéria. Ele não se preocupa com o que fora noticiado por esses meios alternativos. A internet é monitorada por uma empresa de segurança vinculada ao conglomerado de Sr. Sayid. E essas rádios atingem somente a população local. O Daily News tem tiragem de 5 milhões de cópias. Uma mentira impressa 5 milhões de vezes se torna verdade. É assim faz muito tempo.

Ao terminar a matéria, Banks recebe uma ligação particular. Ele atende:

-”Alô?”

-”Filho?”

-”Oi, mãe.. to ocupado.. diga!”

-”Seu pai foi engolido pelo furacão Diógenes, que passou aqui na cidade! Nossa casa foi destruída!”

Silêncio na linha.. Banks desliga sem dizer nada.

Ele olha para os A4 impressos em sua mão, olha para a sala de seu chefe, ouve uma buzinada pela fresta da janela…

… continua…

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