Manisfesto contra o espírito burocrata no rock
O Seychelles concebe e acredita na mutação da espécie ao longo do tempo. Percebe as diferentes linhagens que o rock criou para si como paisagem objetiva e repleta de maneirismos, adjacente de uma leitura adulterada da cultura pop.
Burocracias de pensamentos à parte, é possível e até desejável abarcar todos esses vetores. São eles que apontam até onde o artista é capaz de superar qualquer obstáculo para canalizar e tornar pública a arte com aporte convincente e significado verdadeiro para sobreviver no espaço delimitado pela urgência do rock.
O Seychelles também crê que a importância de tal constatação reside muito mais no exercício de investigar soluções concretas contra a crise de identidade do Homem no rock do que legitimar qualquer mediocridade de garagem em nome do que se convencionou chamar de “atitude”.
O ente que deseja entender o ensinamento advindo do som gerado pelo atrito das pedras que rolam sobre o chão deve recorrer ao passado. Assim como o acadêmicos, é mister esgotar todas as possibilidades de compreensão dos clássicos. A partir de uma atitude humilde pode-se atingir o entendimento superior e vivenciar a ação do rock como rito de purificação para as imperfeições da raça. “Pedras que rolam não criam musgo”.
Considerando tal perspectiva, é aconselhável que a vivência musical e estética siga por um caminho seguro e sem desvios rumo à essência primeira da manifestação animalesca e sinuosa em constate movimento - a arte sem forma toma o molde que o tempo lhe dá.
Que toda a espécie envolvida no fazer, ouvir e viver rock tenha a exata medida da problemática envolvida. Recai aí não só uma opção de arte ou comportamento. Um gentil “basta” ao caráter pueril resistente em qualquer fluxo de pensamento apto a transformar as “pedras que rolam” em penduricalho bárbaro para penteados platinados na butique. Rock não é desafogo de carência banal que rasga a balada overnights. Não é zoológico de prazer barato para narcisos que desejam o escapismo.
O ponto ótimo de toda arte deve residir no exato momento em que ela se torna capaz de transformar a vida das pessoas - inclusive do artista. Venham os grandes de espírito para ensinar um caminho cada vez mais apropriado para esse rock. Que ele seja forte para atravessar as noites inacabáveis feito tacape que desce pesado e lento sobre a falta de inspiração que assola e acomoda uma espécie. Surge longe no horizonte tempos melhores nos quais, através do rock, o ser social já é capaz de sublimar qualquer dificuldade de entendimento.
Seychelles encerra seu ponto buscando criar as condições favoráveis para que essa arte seja motivo de aclaramento, mobilidade e libertação momentânea. O talento sempre será capaz de emocionar. Vai longe o fogo essencial apontando o caminho para aqueles providos de sensibilidade e disposição para compreender.
Que viva bem o ser de hoje e de amanhã através do rock. Glória a todo esforço sincero.
Gustavo Garde
Foto por Arthur Joly no Sesc Vila Mariana em 2006









agosto 20th, 2007 at 1:39 pm
“O ponto ótimo de toda arte deve residir no exato momento em que ela se torna capaz de transformar a vida das pessoas” … essa frase resume tudo. É mto bom quando a gente encontra algo que nos inspira e nos faz progredir sempre, seja música, fotografia
ou alguns textos muito bem escritos.
Belo texto!
agosto 20th, 2007 at 3:20 pm
eu prefiro as tiras de jornal são mais simples de entender.
agosto 22nd, 2007 at 11:17 am
Seja através das tiras do mundo cão ou do requinte ancestral, a transformação se faz!
Que viva bem o Ser, hoje!
And Come Taste the Band!
agosto 24th, 2007 at 9:16 pm
Seychelles me emociona cérebro e coração. ♥
tenho mto orgulho de vcs.
acho que vcs sabem, mas é bom falar e ouvir, né? :*
e by the way, que coisa linda de se ler.
setembro 17th, 2007 at 5:13 pm
Que vocalista horrivel…
Tem cara de som de playboyzinho que quer ser underground