2041 - Medo

abril 28th, 2007

2041.jpg

Procurando seu carro em grande estacionamento, Arnold Banks, o repórter do Daily News se desespera. São muitos carros, em muitos andares. Na pressa de chegar à coletiva, ele não anotou onde colocou seu BMW preto.

- “Humpf, agora eu queria ter um carro verde! Quer dizer, verde não! Amarelo! Aquele cientista maluco ia adorar me ver num carro verde..”

Desde 2009, poucas pessoas se interessam em ter um carro com cores vivas, e hoje, não mais se fabricam carros coloridos.

E assim, irritado, Arnold acha o seu BMW, em meio a carros brancos, pretos e pratas. Assim se resume o espectro de cores do trânsito no mundo.

bmw0001.jpg

 

Arnold dá a partida em seu carro. Um ruído estranho, uma fumaça preta, e ele sai. Aquele carro ainda usa metanol. Metanol brasileiro. Um dos modelos antigos de 2033.

 

A notícia ainda ressoa no corpo de Banks. E mesmo assim, ele não tem a mínima preocupação com o ar. Em 2041, muitos pensam: “Isso é coisa do passado.”

Em 2007, acharam o primeiro planeta capaz de receber vida, com água líquida e atmosfera similar, 1,5 vezes o tamanho da Terra, a 20 anos luz daqui.

planetbx1.jpg

Desde então, a classe dominante arquiteta uma colonização do tal planeta, apelidado de Gliese 581C.

 

A globalização é um fato consumado. A pasteurização é uma regra. Com isso em prática, se abriram muitas novas possibilidades de uso da psicologia na grande massa.

A manipulação tomou novos rumos. A “liberdade” que a democracia vendeu se transmutou completamente nos novos dias de comunicação em grande escala.

 

Onde antes, no século XX, se estudava meios para criar desejos nas pessoas, hoje se estuda como criar o medo. Essa prática vinha ocorrendo desde o final do século, mas de maneira desordenada, caótica. Nunca tinha sido, de fato, estudado.

Hoje, o medo é estudado em universidades, nas mesmas salas em que comunicólogos ensinavam as artimanhas da publicidade. E os resultados desses estudos não são empregados no mercado. Hoje se criam Jornalistas. Hoje se ensina o poder do medo.

sustobx1.jpg

 

Arnold Banks é um desses jornalistas que estudaram o medo. O Daily News é um jornal pra pobre. Pra classe social sem conforto. O que essa classe tem é acesso à informação. Por isso, é importante para o fluxo do ‘coolaborativismo’ que essas pessoas se mantenham tenebrosas, inseguras.

Se a Terra está indo pro buraco, essa classe dos “Seres Vivos que Não Têm Dinheiro ou Dono” não pode planejar sair daqui. É algo fora de questão, mesmo entre os próprios necessitados. E nem se quisessem. Isso é coisa de para superpodero$o$.

 

E mais: Há planos de se formar uma “sociedade perfeita”, a partir do zero, nesse novo planeta. Arnold Banks é um repórter influente. Não tem muitas posses, mas tem planos e reais condições de ser incluído nessa nova elite colonizadora.

 

O carro de seu chefe aparece em seu retrovisor. Chegaram no prédio do jornal. Antes de sair do carro, Banks está nervoso. Sabe que terá que manipular a notícia, e seus dedos já coçam. A classe que sustenta a elite não pode se desviar de sua função: sustentar. Como sempre foi, em 2041 quem gira a roda é o povo. E o que a comunidade científica diz, ou deixa de dizer, não interessa ao povo.

roda.jpg

 

Bom dia, chefe.

1º capítulo - o Postulado

2º capítulo - Medo

Interno

abril 27th, 2007

Esse o e-mail que recebi do Gustavo essa manhã, após o show de ontem no Studio SP.

Reproduzo-o na íntegra:

like moon, stars, and sun

and we all shine on

everyone, all and all

(lennon)

O Seychelles é um dínamo. um motor gentil. de repente a gente acende a fagulha e bruuuuuuummmmmmmmmmm

mmmmmmmmmmmmmmmmm mmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm mmmmmmmmmmmmm… maquinado, todas as cilindradas.

O seychelles é uma fagulha perto da fogueira da redenção. A gente dá uma acendida e, de repente, o fogo pega, alastra e domina os corações e mentes do público ensandecido pelo deleite de tamanha experiência estética, psíquica e emocional.

puxa vida, que sorte a nossa ter chegado até aqui. Já faz tempo que a gente partiu rumo aos nossos sonhos. Não sei que dia gente vai chegar. Mas, nem nas minhas melhores expectativas adolescentes, eu imaginava que esse rock podia fazer a gente tão feliz, tão completo, tão melhor.

Não importa que essa sexta esteja cinza e chuvosa, pq hoje eu tenho luz de sobra para iluminar toda essa senda maravilhosa.

gustavo

Aproveito o post pra agraceder a massa funkeira que teve por lá!

e pra não passar batido, tb, uma versão antiga, instrumental, feita aqui em casa pra Vênus Sharapova, antes chamada de Flor que Nasce In Vitro. A gravação é tosqueira. Foi a título de registro. E à partir hoje, ela será gravada com válvulas, microfones de fita, distorção e amor de verdade. Feriado na casa do nirso. O 12 dólares e Seychelles ocupam a sala Manchester.

o rock me salva diariamente. aleluia!

Renato mCortez

soulseek?

jazzbass98

Azul Polar

abril 24th, 2007

Dando continuidade ao post Arte Alheia, publico aqui um som do disco “Vanílson Rodrigues”, feito no migué Estúdios em 2006. Música da pesada, de Fernando Coelho e Vanílson, produzido por este que vos posta. (Arte ‘nem tão’ alheia, assim.)

Lembrando,

Seychelles e Benzina no Studio SP

Quinta, 22h

Lista Amiga 15$

studiosp@studiosp.org.br

..

esse show é dedicado à alma..

essência.

até

rmC

arte alheia

abril 22nd, 2007

yasmin3.jpg

trabalho de Yasmin Flores

quinta seychelles no StudioSP
lista: studiosp@studiosp.org.br

festa de comemoração do lançamento do clipe de ‘A face do tempo.
Por “Pedro Palhares”.

Mídia Tática?

abril 19th, 2007

Quando me perguntam sobre o projeto em que eu trabalho, sempre tenho uma certa dificuldade em definir exatamente o que rola no projeto Cultura Digital, do minC.

Talvez esse vídeo seja um grande retrato do trabalho realizado por essa galera. É, no fim, um questionamento, uma bola levantanda na questão da passividade com que recebemos e consumimos a mídia. O Brasil é um país escravo da mídia, como muitos outros. O que fazemos, nós do Estúdio Livre, é também mostrar pras pessoas que toda essa grandiosidade da mídia, todo o poder que eles usam e abusam é dado por nós, pessoas. Um a um, fazemos esse poder monstruoso que rola na política, na economia, em todas as áreas…; A mídia está lá em cima, apoiada em nossos ombros. Um passinho pro lado, e ela desaba… Um passinho de cada um…. E é assim, de grão em grão, que a coisa tá acontecendo..

Esse vídeo é do Pedro Bayeux, feito em Manaus, durante um dos Encontros de Conhecimentos Livres, realizados desde 2005, por todo o Brasil.

Semana que vem tem Seychelles e Benzina..

Até..

rmC

Scaramu e Via Alternativa

abril 13th, 2007

Como prometido, eis o vídeo totalmente home-made de Scaramu, o herói-luz da vida.

ééééééé;;; Aqui, Scaramu toma a forma de bichos, seres puros que têm a luz na sua ancestralidade.

Scaramu entra no próximo disco do Seychelles. Essas imagens foram feitas no sítio de Fabio Pinc, durante as gravações de Páscoa.

Coidiloco!

E, aproveitando o post, tem aqui um vídeo do ano passado, feita pela Nelly Moretzsohn, amiga fotógrafa, responsável pelo registro de grandes momentos de Seychelles no palco, tipo esse aqui, no CCSP:

dsc00917peq.jpg

Esse vídeo documentário é o trabalho de conclusão de curso dela…

Bem legal..

Terça feira (17/4) tem Fabio Góes no SESC Pompéia. Iluminação a cargo deste que vos posta. :)

até

rmC

O segundo álbum.

abril 11th, 2007

Costuma se dizer que o destino de uma banda se define no segundo álbum.

Pra fazer o 1º, normalmente a banda pega o que de melhor produziu em toda a sua existência.. Composições muitas vezes feitas em épocas diferentes, em situações, ambientes distintos.

O 2º é a prova de fogo. …show me what you can do.

Seychelles entrou em estúdio nessa Pàscoa. O desenho da estrada. A síntese de um ano e meio.

O disco está sendo feito de uma maneira diferente do “Ninfa do Asfalto”. O produtor é o mesmo Fabio Pinc, mas a metodologia mudou. Nessa Páscoa, fomos pra um sítio em Campo Limpo Paulista, com os carros cheios de válvulas. Arthur Joly (Reco Head) nos emprestou um pré-amplificador classe A, e junto com toda a parafernalha do 12 dólares, tínhamos ali um belo estúdio!

valvulas

Além disso, uns 40 pedais de efeitos.. Todo mundo aqui pira nos infinitos ruídos que se pode tirar com esses bichinhos… Pedais meus, do Coelho, do Fabio, e dos Ludovs, que camaradamente, nos emprestaram tb..

Dali saíram 5 músicas. Praticamente prontas. E esse é o espírito do disco. Vai, monta, grava todo mundo, põe um barulhinho ali, outro aqui, relaxa, escuta, relaxa e bounce. Tá pronta.

O disco vai ter 12 faixas. Tem algumas que serão gravadas na Flap, estudião pesado, som gordo. Outras serão gravadas na sala Manchester, do Nírso, baixista do Mamma Cadela. Tudo em família.familia

Enfim, o segundo álbum.

Semana que vem eu subo um vídeo de lá, clipezinho de Scaramu, o herói-luz que, no mato, luta pela terra.

até

rmc

Outono seco na babilônia sanguinolenta

abril 2nd, 2007

O último final de semana foi de muito sol, açaí e rock n´roll para o Seychelles. Pegamos a Dutra no sábado bem cedinho e, à tarde, já estávamos dentro do mar. Ipanema é uma sala de estar para gringos, gostosas, comerciantes, gringos, baladeiros, artistas, gringos, ambulantes, gringos e… roqueiros. O bairro do Cazuza.

Foi nesse ambiente que fizemos nossa primeira apresentação na cidade maravilhosa. Para mim, particularmente, ficou um pouco mais claro porque aquela cidade é chamada maravilhosa: porque vende sonhos. Não o Rio de Janeiro do povão, mas a zona sul, Ipanema, Copacabana, Leblon… um desbunde.

Lá, tivemos a oportunidade de conhecer o excelente sexteto “Os Subterrêneos”, com quem dividimos o palco. Trata-se de uma das boas novidades da música nacional. Boas letras, bons arranjos, simplicidade, brasilianismo.

É com esse pique que entraremos em estúdio no começo de abril para gravar nosso segundo álbum. Ufa! Maravilha total. Vamos para o inspirador sítio do nosso produtor, Fabio Pinc, em Campo Limpo Paulista. Imersão. Em etapas, claro. Nossa vontade era ficar um mês direto gravando. Tipo Exiled on Main Street. Mas, como aqui todo mundo é proletariado (ou quase todo mundo), temos que voltar pra SP pra fazer render nossos dias úteis. Será uma imersão à prazo. A primeira parcela começa na sexta feira da paixão.

Vamos cheio de amor no coração registrar o resultado de quase dois anos de composições e estéticas custuradas a fim de alcançar a música perfeita. Ainda não chegamos lá, mas estamos on the road. Quem sabe um dia produzamos o álbum definitivo. É a intenção. Se não achássemos que podemos fazer alguma coisa de realmente relevante para as pessoas, não estaríamos mais nessa.

O Rock nos estimula a ser seres humanos melhores.

Gustavo Garde

02.04.07